terça-feira, 20 de setembro de 2011

O Toque de Midas


Em matéria publicada no caderno Ilustrada da Folha de S. Paulo em 06/09/2011, o astro teen Justin Bieber é curiosamente apontado como “O Menino Midas”. Vicent M. de Gradpre, economista da Universidade Columbia, analisou a carreira de Bieber e afirma que "o mercado teen é enorme, e música é só pretexto. Mas tem data de validade. Porque o ídolo logo cresce e vem o próximo." Gradpre também destaca que “a tática é lucrar muito e rápido [...], é hora de aproveitar toda a fama para associar sua cara a tudo o que se move" - ou que mova cifras.




Descoberto através da internet pelo produtor Scooter Braun em meados de 2008, Justin Bieber possui apenas um disco de carreira lançado pela Island Def Jam, selo da Universal Music, somando mais de quatro milhões de cópias vendidas. Seu maior mérito comercial, no entanto, vem de sua extensa e inusitada linha de produtos licenciados em diversos países, desde cadernos e bonecos até roupas e acessórios odontológicos. Uma loja virtual foi criada para comercializá-los em primeira mão. Somente o seu perfume “Someday” somou, durante as três semanas que sucederam seu lançamento, mais de quatro milhões e oitocentas mil unidades vendidas.



Como visto em “O Lado B”, o decadente disco físico começa a ser visto pela indústria fonográfica muito mais como uma peça que, agregada a um mix de marketing, auxilia na difusão da produção artística e da imagem de seus artistas, o que se reverte em  licenciamentos, patrocínios e, por fim, renda. [p. 124].

Fotos: justinbieber.shop.bravadousa.com
Justin Bieber, além de cantar, também dança, toca violão, piano, bateria e trompete. Talento musical à parte, sua imagem é seu grande potencial. O toque de Midas surge de sua associação com bens de consumo impulsivo, tornando dourado não apenas o universo Bieber, mas também o universo pop engendrado pelas companhias do disco. Renovam-se, assim, suas esperanças e perspectivas.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

Direitos Sobre Discos




Segundo matéria publicada em 22/08/11 pela Folha de S. Paulo, definição que estabelece a recuperação dos direitos autorais após 35 anos foi agregada à lei americana em 1976. Passando a vigorar a partir de 1978, tal definição começará a ser percebida efetivamente a partir de 2013. Os discos que a este ano completarem 35 anos de lançamento se desvincularão de suas gravadoras de origem, tendo os artistas poder para administrá-los como bem quiserem, bastando entrar com pedido ante à Justiça com dois anos de antecedência. A fonte de renda oriunda de reedições de álbuns, portanto, se vê ameaçada no mercado estadunidense, o que não ocorre aos discos nacionais considerando que a legislação brasileira estabelece que tais direitos, pertencentes às companhias do disco, seguem assegurados por longínquos 70 anos.

Apesar da suposta segurança em relação aos direitos das gravadoras no tocante aos álbuns brasileiros, abalos ainda poderão ser percebidos pelas filiais nacionais das grandes companhias. Segundo a referida matéria, há quem considere esta definição legal como o tiro de misericórdia à fonografia major. Não havendo remédios legais para reverter a cena, veremos, no mínimo, mais um grande abalo na estrutura fonográfica mundial.

quarta-feira, 13 de julho de 2011

Imagem, de Jonas Silva



Integrante do grupo vocal Garotos da Lua, Jonas Silva abandonara seus parceiros na década de 50 para seguir carreira solo. O lugar vago seria ocupado por nada mais nada menos que João Gilberto. Silva assinaria com a Rádio Tupi e gravaria discos para a Mocambo e para a Philips.

Rótulo de um dos LPs do selo Imagem.
Vindo de Pernambuco e radicado no Rio de Janeiro, Jonas Silva havia sido vendedor da Murray, lendária loja de discos e ponto de encontro da juventude carioca durante as décadas de 40 e 50. Nos anos 60, já afastado dos holofotes, Silva continuava a lidar com discos, agora não como cantor ou vendedor, mas como radialista e produtor, realizando edições de álbuns estrangeiros de Jazz para a Philips. A partir de 1969, Jonas Silva desempenharia tal função em seu próprio selo, Imagem, responsável por trazer ao Brasil títulos de notáveis etiquetas norte-americanas e europeias voltadas primordialmente ao Jazz, ainda com pouca representação comercial no Brasil. O filão explorado por Jonas Silva rendeu edições brasileiras de grandes álbuns de artistas como Billie Holiday, Stephane Grapelli, Duke Ellington e Dizzy Gillespie. Na década de 80, Silva reeditaria ainda discos da já extinta etiqueta Mocambo, iniciando flerte com o novo formato que àquela época despontava: o CD. O selo Imagem lançaria ainda produções próprias de artistas do porte de Gilson Peranzzetta, Oscar Castro Neves, Luiz Eça e Victor Assis Brasil. Os últimos lançamentos engendrados por Jonas Silva sob a marca Imagem datam de 1996.

Em 26 de julho de 2008, “O Globo Online” publicava entrevista feita com Silva. Àquela época com 79 anos, dizia-se indiretamente responsável pela invenção da Bossa-Nova, e que “Dick Farney e Lúcio Alves começaram tudo, foram os primeiros cantores modernos brasileiros”.

Ao lado de tantos empreendedores, Jonas Silva é mais um grande e respeitável nome associado à criatividade e à ousadia em nossa fonografia.

Warner Sob Nova Direção




Nascido em 1958 nos EUA, o braço fonográfico da Warner Brothers, companhia até então atuante apenas no ramo da cinematografia, passou por diversas mãos durante sua trajetória: Seven Arts, nos anos 60; Kinney National Company, nos anos 70; Warner Communications, até a década de 90; Time Warner, até 2004.

No ano de 2006, executivos da Warner Music iniciaram negociações com a EMI – Electric and Musical Industries – visando uma eventual fusão, o que acabou por não se concretizar dada a insegurança jurídica constatada pela companhia inglesa. De 2004 até maio deste ano a Warner Music, desvinculada de grupos empresariais, atuava de maneira autônoma até ser adquirida pelas multifacetadas indústrias Access, grupo atuante nas áreas de recursos naturais, produtos químicos, mídia,  telecomunicações e imóveis. Este fenômeno, diga-se, é definido pela escritora e ativista social Naomi Klein como “onda incorporativa”, que se dá quando empresas de diferentes segmentos se fundem, formando grandes conglomerados. Segundo Klein, a expansão da área de atuação das empresas, através da associação com outras companhias das mais variadas, opostas e inusitadas atividades, é a chave para a construção de um casulo de marca [O Lado B, p. 43].

A dívida amargada pela Warner Music, em razão da queda nas vendas de discos, girava em torno de 2 bilhões de Dólares, e fora assumida pelo império Access. O conglomerado não descarta a possibilidade de venda da companhia pela qual gravam artistas como Maria Rita, O Rappa, Red Hot Chili Peppers e Madonna. Diz-se que a Sony Music vem sinalizando algum interesse pela compra da Warner Music, tal como fez e concretizou com a BMG em 2005, passando desde então a figurar como a maior companhia fonográfica do mundo. Resta saber se a imponência do grupo Sony terá condições de salvar a causa major e a si num futuro tão incerto para as companhias do disco.

sexta-feira, 8 de julho de 2011

Patrocínio Colaborativo: Mão na Massa


Na virada dos anos 70 para os 80, o músico e engajado cultural Francisco Mário partia para uma audaciosa empreitada. Resolvera idealizar aquele que seria o seu segundo disco e vendê-lo antes mesmo de começar a gravá-lo. O LP “Revolta dos Palhaços”, concretizado em 1980, trazia em seu encarte as assinaturas dos apoiadores da produção independente [O Lado B, p. 78].

A ousada iniciativa de Francisco Mário ressurge, após três décadas, em continente virtual. As chamadas “plataformas de patrocínio colaborativo” visam, através da internet e suas redes sociais, arrebanhar público interessado por realizações das mais variadas áreas culturais ainda em sua fase embrionária. Através de doações espontâneas de pessoas predominantemente físicas, arrecadam-se os valores necessários para a gestação do projeto. O apoio conquistado estende a paternidade da empreitada a inúmeros patrocinadores, resultando um projeto naturalmente democrático; cultura de massas engendrada e provida pelas próprias massas.

Conheça algumas das principais plataformas de patrocínio colaborativo:

quarta-feira, 15 de junho de 2011

Renasce a Kuarup


A Kuarup foi criada em 1977 no Rio de Janeiro, inicialmente para produzir discos como brindes de empresas. Durante os 31 anos em que atuou, figurou como uma das mais aclamadas gravadoras brasileiras, com cerca de 200 títulos em seu catálogo abrangendo vertentes como: erudito, choro, música nordestina, caipira, sertaneja, samba e instrumental. Em 2005 iniciou um catálogo de DVDs. A empresa foi fundada pelo jornalista Mário de Aratanha e pelo fagotista Airton Barbosa, do Quinteto Villa-Lobos.

Como apontado em "O Lado B", em fins de 2008 a Kuarup decidiu encerrar suas atividades. Em nota divulgada à imprensa, através de seu site oficial, a companhia declarou, em tom melancólico, seus motivos:

Ao longo dos últimos anos, as vendas de produtos físicos sofreram queda vertiginosa, nem de longe compensada pelas vendas por download. Entendemos que a crise do CD é irreversível e tornou inviável nosso modelo de negócio, inteiramente calcado na produção e comercialização de música de qualidade. Agradecemos aos nossos amigos, funcionários, representantes, clientes e fornecedores, e sobretudo aos nossos artistas, que continuarão a carregar a bandeira desta música brasileira que ajudamos a divulgar durante todos estes anos.

Após quase três anos de seu fim anunciado, a gravadora Kuarup está de volta ao cenário fonográfico brasileiro através de inesperada parceria entre Arthur Fitzgibbon e Alcides Ferreira, seus novos proprietários, com a Sony Music. Alvíssara ao público que valoriza a música tangível e de qualidade,  aquela que vem movimentando discretas porém seguras cifras em nossa fonografia. Da feliz empreitada, ressurgem de imediato nove álbuns do acervo da Kuarup. Esperam-se ainda títulos inéditos em prosseguimento ao raro e sofisticado trabalho da companhia que, mesmo sob nova direção, procurará manter sua autenticidade e seu compromisso com a música brasileira.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

Clube da Cultura

O Clube da Cultura, segundo seu site, é uma associação sem fins lucrativos formada em 1994 por profissionais do meio cultural.  Tem o objetivo de pensar, debater, promover e contribuir para o desenvolvimento do setor cultural. [...] Os membros do Clube sabem que a natureza própria da cultura – inquieta, plural, representativa e transformadora -, tem que ser respeitada para que esta articulação seja efetiva. Por isso têm concentrado suas ações na criação de projetos estruturantes para o setor, na transmissão de conhecimentos e na criação de oportunidades para que o “nós” seja experimentado coletivamente. Recentemente, a associação publicou suas reflexões acerca do mercado fonográfico, com menção ao livro "O Lado B", conforme link aqui.